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27/07/2026Participação em evento da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna destacou tratamentos de alta complexidade realizados na unidade

A atuação do Hospital Adventista São Paulo (HASP) em procedimentos de alta complexidade na área de coluna ganhou espaço em um dos principais encontros científicos da especialidade no país. Experiências relacionadas ao tratamento de deformidades da coluna do adulto foram abordadas durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia da Coluna, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna.
Realizado a cada dois anos, o congresso reúne cirurgiões de coluna de diferentes regiões do Brasil para discutir avanços técnicos, desafios assistenciais e novas abordagens cirúrgicas.
O tema foi apresentado pelo Dr. Guilherme Augusto Foizer, ortopedista e cirurgião da coluna vertebral, que coordena o serviço de cirurgia de coluna do HASP. O médico também é membro da Comissão de Educação Continuada da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna e atua em instituições acadêmicas como a Universidade de São Paulo e a Faculdade de Medicina do ABC

Dr Guilherme Augusto Foizer | CRM-SP 114430 | Ortopedia e cirurgia da coluna vertebral.
Segundo Foizer, o congresso foi uma oportunidade para discutir técnicas utilizadas no tratamento da deformidade da coluna do adulto, condição considerada complexa e que exige estrutura hospitalar, equipe especializada e acompanhamento cuidadoso
“É um tratamento complexo, de uma patologia complexa. Não são todos os hospitais que fazem esse tipo de tratamento, mas a gente vem fazendo isso nos últimos anos aqui também”, explicou.
Tratamento exige equipe especializada
A deformidade da coluna do adulto costuma atingir pacientes mais velhos, geralmente a partir dos 60 ou 70 anos. A condição pode fazer com que o tronco fique projetado para frente, aumentando o esforço necessário para que a pessoa consiga permanecer em pé.
De acordo com o médico, esse tipo de alteração compromete a qualidade de vida porque exige maior gasto de energia do paciente. Com o tempo, a musculatura pode entrar em fadiga, dificultando a manutenção da postura.
Embora não seja uma condição frequente, Foizer observa que os casos têm se tornado mais comuns com o envelhecimento da população, a obesidade e os processos degenerativos associados à coluna.
As cirurgias indicadas para esses casos estão entre os procedimentos mais desafiadores da especialidade. Segundo o médico, a literatura médica aponta riscos importantes, como sangramentos, infecções, déficits neurológicos no pós-operatório, persistência da deformidade e necessidade de novas cirurgias.
“Não são casos simples. São cirurgias muito complexas, com altas taxas de complicações”, afirmou.
Técnica busca reduzir sangramento e melhorar alinhamento
Durante o congresso, um dos pontos discutidos foi o realinhamento anterior da coluna, abordagem que permite corrigir alterações estruturais por meio da parte anterior da coluna. Entre as técnicas apresentadas está o ALIF hiperlordótico, recurso ainda pouco utilizado no Brasil, mas que vem ganhando espaço entre especialistas.


Para explicar o procedimento, Foizer compara a coluna deformada à inclinação da Torre de Pisa. Quando há alteração na base, próxima à bacia, toda a estrutura pode perder o alinhamento. A proposta da técnica é reposicionar essa base por meio da colocação de um dispositivo que funciona como uma espécie de calço, ajudando a reorientar a coluna.
A abordagem pode reduzir a perda sanguínea em comparação com técnicas mais antigas, que exigiam a retirada de uma cunha óssea para promover a correção.
“Antigamente, a gente fazia o contrário. Tirava uma cunha e também fazia a orientação. O problema é que, para retirar a cunha de uma coluna, a gente precisa passar pelo nervo e tirar osso. E a retirada do osso geralmente envolve uma cirurgia com muita perda sanguínea”, explicou.
No Hospital Adventista São Paulo, a equipe já realiza técnicas de realinhamento anterior com dispositivos convencionais e está em processo de implementação da técnica hiperlordótica.
Presença em espaços científicos fortalece assistência
As cirurgias de coluna passaram a ser realizadas de forma mais rotineira no HASP por volta de 2011. Inicialmente, os procedimentos estavam mais relacionados a deformidades idiopáticas do adolescente. Com o avanço do serviço, a unidade também passou a atuar em tratamentos voltados à deformidade da coluna do adulto.
Por Rafael Brondani e Isabelle Ortega
29/06/2026






